Doenças incapacitantes: acesso a cuidados de saúde para pessoas
Atualizado em 04/09/2026
Nesta página
- Direitos assegurados pelo SNS
- Isenção de taxas moderadoras
- Transporte para consultas ou tratamentos
- Comparticipação de medicamentos
- Produtos de apoio
- Pedir apoio psicológico e emocional
- Registar o testamento vital
- Aceder à rede de cuidados continuados
- Aceder à rede de cuidados paliativos
- Atendimento prioritário
- Cuidados médicos para cidadãos europeus em Portugal
- Guias relacionados
As pessoas com doenças incapacitantes têm um conjunto de direitos garantidos pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS). Estes direitos asseguram o acesso a diagnóstico, tratamento e acompanhamento, bem como a alguns apoios que podem reduzir custos e facilitar o acesso aos cuidados de saúde.
Nesta página encontra informação sobre os principais direitos no SNS e sobre como e quando pode usá-los.
As taxas moderadoras são os valores que os utentes têm de pagar pela prestação de cuidados de saúde no SNS.
Caso tenha incapacidade igual ou superior a 60%, comprovada pelo Atestado Médico de Incapacidade Multiuso, não tem de pagar taxas moderadoras.
Quando precisa de se deslocar para consultas, exames, tratamentos, cirurgia de ambulatório ou internamento, o SNS assegura o transporte de forma gratuita a doentes com incapacidade igual ou superior a 60%, comprovada pelo Atestado Médico de Incapacidade Multiuso.
Se precisar de transporte, peça ao seu médico uma prescrição.
Durante os tratamentos, pode precisar de tomar medicação que, normalmente, é dada pelo hospital. Caso tenha de tomar medicação que não seja dada pelo hospital, o SNS pode comparticipar a medicação, ou seja, o SNS paga parte do valor da medicação.
O valor da comparticipação de medicamentos varia entre 15% e 90% do preço de venda ao público do medicamento. No caso de medicamentos usados no tratamento da dor oncológica, a comparticipação é de 90%. Se for pensionista, o valor da comparticipação de medicamentos é maior do que para uma pessoa que não seja pensionista.
Para ter acesso à medicação comparticipada, deve dirigir-se ao seu centro de saúde.
Uma pessoa com incapacidade igual ou superior a 60%, comprovada por Atestado Médico de Incapacidade Multiuso, pode ter acesso a produtos de apoio gratuitos através do Sistema de Atribuição de Produtos de Apoio (SAPA). Estes produtos incluem, por exemplo:
-
Cadeiras de rodas, andarilhos, canadianas
-
Camas articuladas, barras de apoio, corrimãos
-
Próteses e ortóteses
-
Utensílios adaptados para alimentação e higiene
-
Cadeiras sanitárias e de banho
-
Cabeleiras
Para receber estes produtos, tem de pedir uma prescrição num Centro Prescritor Especializado, que emite uma Ficha de Prescrição. Entregue a ficha num balcão da Segurança Social ou, se morar no concelho de Lisboa, na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
O apoio psicológico e emocional pode ser importante tanto para o doente como para familiares e cuidadores. Se o hospital em que está a receber tratamento para a sua doença incapacitante tiver um gabinete de psicologia, pode pedir ao seu médico que a/o encaminhe para consulta de psicologia.
Em alternativa, pode procurar apoio psicológico gratuito em associações de apoio a doentes. Pode pesquisar na internet, por exemplo, por “associações de apoio a doentes com cancro” ou “associações de apoio a doentes com Parkinson”.
Um testamento vital, ou Diretiva Antecipada de Vontade, é um documento onde pode manifestar o tipo de tratamento e de cuidados de saúde que pretende (ou não) receber se, no futuro, não conseguir expressar a sua vontade. Neste documento pode também nomear um ou mais procuradores de cuidados de saúde, que podem tomar decisões por si.
O Testamento Vital tem uma validade de cinco anos e pode referir:
-
Decisões sobre suporte artificial de vida
-
Se pretende receber cuidados paliativos
-
Se quer receber tratamentos experimentais ou participar em programas de investigação científica ou ensaios clínicos
A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados oferece cuidados de saúde e apoio social a pessoas que precisam de recuperação, reabilitação ou apoio prolongado. Esta rede inclui:
-
Unidades de Convalescença
-
Unidades de Média Duração e Reabilitação
-
Unidades de Longa Duração e Manutenção
-
Equipas de Cuidados Continuados Integrados – Domiciliários
Se estiver internado/a no SNS, deve falar com o serviço hospitalar ou com a Equipa de Gestão de Altas. Se estiver em casa ou num hospital privado, deve contactar a equipa de saúde familiar da sua unidade de saúde.
Os cuidados paliativos têm como objetivo melhorar a qualidade de vida da pessoa doente e apoiar os familiares e cuidadores.
Os cuidados paliativos:
-
Aliviam o sofrimento físico, psicológico, social e espiritual
-
São prestados por equipas multidisciplinares
-
Podem ser prestados em unidades próprias ou no domicílio
-
Incluem apoio aos familiares, incluindo no luto
As pessoas com incapacidade igual ou superior a 60% têm direito a atendimento prioritário em serviços públicos e privados de atendimento presencial.
O atendimento prioritário deve ser pedido pela própria pessoa e pode precisar de comprovar a incapacidade.
Pessoas da União Europeia que estejam temporariamente em Portugal e tenham uma doença que precise de acompanhamento regular (por exemplo, se estiverem a fazer quimioterapia), podem receber esses cuidados de saúde em Portugal, desde que tenham o Cartão Europeu de Seguro de Doença no prazo de validade.
Já no caso de pessoas da União Europeia residentes em Portugal, se precisarem de cuidados de saúde programados, como é o caso da quimioterapia, têm de pedir, na instituição competente do Estado-Membro de origem, o certificado do direito aos cuidados de saúde.